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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Notícia - aumento do nível do mar

Placa de gelo fragmentou na Península Antárctica
Despreendimento vai aumentar nível do mar


Dos 14 mil quilómetros quadrados que constituem a plataforma Wilkins, na Península Antárctica, um quarto da placa fragmentou-se e desprendeu-se, como consequência do aquecimento global.

De acordo com a Rádio Renascença, o anúncio foi feito pelo Centro de Investigações Cientificas de Espanha (CSIC).

Desde domingo que uma equipa de cientistas espanhóis, no navio de investigação oceanográfica Hespérides, analisa o impacto da quebra sobre o ecossistema do Mar Belinghausen (a Oeste da Península Antárctica).

Os investigadores trabalham no âmbito do projecto ATOS (contribuições atmosféricas de carbono orgânico e contaminantes para o oceano polar: taxas, importância e prospectiva) e verificaram que a frente de gelo do mar de Belinghausen retrocedeu 550 quilómetros em duas semanas.

Os especialistas sublinham que o desprendimento e fragmentação da plataforma vão reflectir-se no aumento do nível do mar.
Nos últimos 50 anos, a temperatura na Península Antárctica aumentou 0,5 graus centígrados por década.


2009-03-18
Notícia retirada em Fábrica de Conteúdos

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Ocupação Antrópica em zonas de vertente

As zonas de vertente são locais de desnível da topografia terrestre. Podem possuir maior ou menor declive e estão muito expostas à acção intensa e rápida dos fenómenos erosivos. Devido a estas características são zonas bastante instáveis em que os materiais geológicos nas zonas superiores tendem a ser mobilizados para as zonas inferiores, com consequências por vezes graves em termos de perda de vidas ou de danos materiais. Os principais factores de risco associados às zonas de vertente são a erosão hídrica, queda de blocos e os movimentos em massa.
Erosão hídrica – é um fenómeno lento e gradual em que os materiais, de pequenas dimensões, são arrancados às vertentes, principalmente, pelo impacto das águas das chuvas e pelo escoamento das águas ao longo das vertentes.
Queda de blocos – devido à acentuada erosão, os materiais soltos de variadas dimensões movimentam-se pela vertente por acção directa da gravidade, sem serem arrastados por água.
Movimentos em massa – corresponde ao deslizamento, em regra brusco e repentino, de grandes quantidades de materiais sólidos ao longo de uma vertente.
Neste vídeo impressionante vê-se um deslizamento de terras no Japão.

Os movimentos em massa podem ser causados por factores condicionantes (condições mais ou menos permanentes) e factores desencadeantes (condições resultantes de alguma alteração introduzida na vertente).
Factores condicionantes:

  • Contexto geomorfológico: declive dos terrenos; força da gravidade e força de atrito -à medida que a inclinação da vertente aumenta, a componente tangencial da gravidade aumenta e componente normal diminui, contribuindo para a movimentação. As forças de atrito ou de resistência e o grau de coesão dos materiais geológicos (forças que se opõem ao movimento) têm, assim, especial interesse numa zona de vertente, uma vez que impedem a movimentação dos materiais;

  • Contexto geológico: tipo e características das rochas; disposição das rochas nos terrenos; orientação e inclinação das camadas; grau de alteração e fracturação das camadas rochosas.

    Factores desencadeantes:

  • Precipitação elevada – a água que se infiltra no solo, devido à sua forte capacidade de estabelecer ligações moleculares, permite manter um certo grau de coesão entre as partículas. No entanto, se a concentração de água for muito elevada, o volume desta aumenta e conduz à saturação do solo. A tensão exercida pela água é tal que leva a que as partículas desse solo se afastem (menor força de atrito), criando situações de instabilidade provocando o movimento de materiais ao longo dessa vertente;


  • Acção antrópica:
    o Destruição da cobertura vegetal – as raízes das árvores reforçam a coesão do solo e aumentam a força de atrito que contraria o deslizamento pela gravidade;
    o Remoção de terrenos para a construção de estradas e habitações – expõe as vertentes aos factores ambientais ou interrompe as linhas de água, aumentando risco de movimentos;
    o Regra excessiva na agricultura – a saturação de água dos solos facilita o seu deslizamento.


  • Ocorrência de sismos e vibrações (fazendo com que as formações rochosas fiquem mais instáveis sofrendo derrocada);

  • Tempestades nas zonas costeiras (provocando queda de blocos, geralmente de grandes dimensões);
  • Variações de temperatura (contracção e dilatação dos materiais rochosos).


    Medidas de prevenção

    A ocupação antrópica nas zonas de vertente implica que se conheça a composição e as estruturas geológicas da área ocupada e ter parâmetros de previsão segura do comportamento dos materiais geológicos envolvidos. É necessário planear essa ocupação de forma a diminuir os riscos de acidente geológico. Algumas medidas de prevenção são:
    · Estudar as características geológicas e geomorfológicas de um local para avaliação do seu potencial de risco;
    · Elaborar cartas de ordenamento do território com definição de zonas habitacionais; agrícolas; ecológicas; com interesse em explorar recursos e vias de comunicação;
    · Elaborar cartas de risco ecológico onde se evidenciem as áreas com diferentes probabilidades de ocorrência de movimentos em massa
    · Remoção (1ª fig.) ou contenção (pregagens, muros de suporte, sistemas de drenagem, reflorestação, redes metálicas, etc.) dos materiais geológicos que possam constituir risco.

    A Geologia assume assim um papel fundamental, ao fornecer informações preciosas sobre os materiais e os processos e os seu comportamento quando sujeitos a interacção humana.

Notícia - Praia da Foz do Arelho corre o risco de desaparecer

A autarquia das Caldas da Rainha alertou para o facto da praia da Foz do Arelho estar a desaparecer, devido ao avanço do mar e da lagoa de Óbidos.
O Presidente da Câmara solicitou o apoio do Instituto da Água para que intervenha no sentido de reverter este processo, propondo uma correcção à abertura do canal da lagoa.


sábado, 14 de fevereiro de 2009

Ocupação Antrópica da faixa litoral - Zonas costeiras

As zonas costeiras ou zonas da orla marinha caracterizam-se por uma intensa actividade geológica causada pelo mar.
Formas de Erosão

Resultam do desgaste provocado pelo impacto dos movimentos das águas do mar sobre a costa, a que se dá o nome de abrasão marinha. Os efeitos da abrasão são especialmente notórios em costas altas e escarpadas, as arribas. A abrasão marinha faz-se sentir sobretudo na base da escarpa em contacto com o mar, onde o material rochoso é retirado mais intensamente. À medida que a base da arriba vai sendo erodida, o peso das camadas superiores provocam o seu abatimento originando uma acumulação de detritos nas zonas mais baixas, a plataforma de abrasão. Outras consequências da abrasão marinha são as cavernas, leixões e os arcos litorais. A natureza do material rochoso, o seu grau de dureza e compactação, a orientação e a posição dos estratos condicionam a velocidade da abrasão da arriba.

Formas de deposição
Os materiais arrancados pelo mar ou transportados pelos rios vão-se depositar originando as praias, restingas, ilhas-barreiras ou tômbolos.
Nas praias, resultantes da acumulação de sedimentos de variados tamanhos e formas, podem ainda se observar as dunas litorais. As dunas são um elemento importante pois impedem o avanço do mar para o interior e constituem ecossistemas únicos, de grande biodiversidade.

Evolução do litoral
A dinâmica das zonas costeiras é condicionada por fenómenos naturais e antrópicos.
Causas naturais:
  • alternância entre regressões e transgressões marinhas, com variação do nível médio da água do mar;
  • alternância entre períodos de glaciação e interglaciação (acumulação de gelo no Hemisfério Norte e fusão desse gelo, respectivamente);
  • deformação das margens continentais devido a movimentos tectónicos, que podem levar ou afundamento e elevação das zonas litorais.

    Causas antrópicas:
  • o excesso da produção de CO2 provoca efeito de estufa, e consequentemente o aumento do nível médio das águas do mar;
  • construção de estruturas de lazer e recreio desordenada na faixa litoral;
  • diminuição da quantidade de sedimentos que chegam ao litoral, devido à construção de barragens nos grandes rios;
  • destruição das defesas naturais devido ao pisoteio das dunas, à construção desordenada, ao arranque da cobertura vegetal, e à extracção de inertes, entre outros.
Ocupação antrópica: consequências
Estima-se que as zonas costeiras são ocupadas por 80% da população mundial, isto porque constituem um importante recurso natural onde o Homem obtém alimentos, recursos minerais, lazer e turismo, etc. No entanto, a zona litoral constitui um recurso não renovável à escala humana, sendo a sua gestão caracterizada por uma constante degradação.
A ocupação humana nas zonas costeiras faz-se de forma desordenada, provocando alterações nos ciclos de abrasão (propiciando a erosão acelerada e avanço das águas do mar) e deposições marinhas que potenciam o risco geológico de desabamento de casas e edificações, ameaçando assim a vida humana e destruição de bens. Como consequências, também altera as rotas migratórias destruindo muitos habitats.

Soluções

Recorrem-se a construções artificias para regularizar os ritmos de abrasão e deposição marinha como por exemplo os esporões (obras transversais à linha de costa), paredões (obras paralelas aderentes à linha de costa) e os quebra-mares, molhes e enrocamentos (obras destacadas).

Infelizmente, a construção destas obras protege uns locais mas agrava a situação nas zonas costeiras próximas desses locais, conduzindo à necessidade de novas medidas de protecção nessas zonas. É, por exemplo, o caso dos esporões: a construção de esporões na costa ocidental favorece a deposição de sedimentos arrastados pelos correntes a norte do esporão, mas agrava a erosão a sul desse esporão. Como solução constrói-se um campo de esporões, que provoca em certas zonas grandes recuos da linha da costa.
Outra solução, mais económica e menos agressiva que as obras de engenharia, é a alimentação artificial de sedimentos em determinadas praias.
Muitos geólogos defendem a redução ao mínimo ou mesmo a eliminação destas construções de protecção, argumentando que o Homem deve respeitar a dinâmica do litoral.


Ordenamento do litoral
Em Portugal têm sido implementados planos de ordenamento da orla costeira de forma a diminuir o risco de perdas humanas e materiais. A costa algarvia e a costa do Norte são as zonas mais preocupantes.